Hérnia Diafragmática Fetal

Vidas que podem ser salvas? 

A hérnia diafragmática congênita é uma alteração do desenvolvimento fetal frequente, ocorrendo em cerca de 1 a cada 2500 nascidos vivos. É caracterizada por uma falha no desenvolvimento do diafragma, músculo que separa o tórax do abdomem. Essa falha, que consiste em um orificio no músculo, permite que vísceras abdominais, principalmente as alças do intestino e o fígado, subam para dentro do tórax, ocupando o espaço que deveria ser ocupado pelos pulmões. Isso impede que os pulmões se desenvolvam adequadamente, e ao nascimento esses bebês acabam indo a óbito por insuficiência respiratória e hipoplasia pulmonar.

O diagnóstico pode ser feito, na maioria das vezes, pela ultra-sonografia morfológica. Uma vez que seja levantada a suspeita, deve-se proceder a completa investigação, que inclui a ecocardiografia fetal, a amniocentese para realização do cariótipo, e a medida, através da ultra-sonografia, da relação entre o volume do pulmão e a circunferência cefálica do feto. Esta relação tem valor prognóstico, ou seja, o valor obtido permite saber quais fetos tem maior chance de sobreviver. Essa investigação tem por objetivo selecionar os fetos que são candidatos ao tratamento ainda dentro do útero. São candidatos ao tratamento os fetos geneticamente normais, sem alterações em outros órgãos, e com relação pulmão-cabeça menor que 1.

O tratamento consiste na colocação do balão intra-traqueal. O balão intra-traqueal é colocado através da fetoscopia, que consiste na introdução de um dispositivo chamado fetoscópio (uma sonda de 1-2 mm de espessura), sob anestesia, dentro do útero que permite a visualização de todo o feto em um monitor em tempo real. Através do fetoscópio, é passado o balão, que é inflado dentro da traquéia do feto, que ali permanece até próximo ao nascimento.

O objetivo da colocação do balão é fazer com que o pulmão se desenvolva, através do acúmulo de líquido que fica represado dentro da árvore respiratória. Sem tratamento, a mortalidade é próxima de 100%. Com a fetoscopia e a colocação do balão a sobrevida gira em torno de 50%, ou seja, metade dos bebês são salvos.

Abaixo está o vídeo que mostra uma cirurgia fetal para tratamento de hérnia diafragmática fetal realizada no INSTITUTO DE MEDICINA MATERNO-FETAL, pelo dr Rodrigo Ruano, auxiliado pelo dr Kleber Cursino e pelo dr Marcelo Nomura. Observamos o momento em que o balão está sendo colocado com sucesso dentro da traquéia do feto.